Eu - Noite infinda, onde estou?
Noite - Tão pouco posso te revelar, mas, tu bem sabes que estás na fronteira da loucura.
Eu - Que farei eu agora?
Noite - Implore! Admita como és.
Eu - Um pó medíocre.
Noite - Então "aprenda a obedecer, pó soberbo, aprenda, barro e lodo, a humilhar-se e meter-se debaixo dos pés de todos"
Eu - Deus, seja misericordioso com a minh'alma.
Quantas paixões levianas e mentiras temíveis
Revelam-se tiranas, levando minha calma!
Elevando a angústia que traz dores terríveis.
Considero passado? A agonia deixa sua esteira.
Não tenho paz genuína, não tenho pleno olvido
Meu bom espírito implora em condição rasteira:
Escutai o alto e transcendente clamor aguerrido!
Dúbio ser inconstante, como haverei de lutar?
A ignorância ergueu altar fixo no meu interior
Embaçou-se o mundo e só enxergo o penar.
Aberrações de pensamentos permeiam a dor,
Meu intelecto insano ambiciona a mente sanar
e meu coração se condói, apetecido do Amor.
Noite - Mas não és digna do Amor e nem da consolação.
Eu - "Ainda que pudesse derramar um mar de lágrimas, nem por isso seria digno de Vossas consolações".
Noite - É falsa a tua contrição! Ainda estás a beira da insanidade.
Eu - Não me acuse, noite astuta. Tu és apenas o cenário de minha angústia.
Noite - Silenciarei e de certo ficarás incessantemente torturada até o dia em que a natureza ficará paralisada... "Judex ergo cum sedebit, quidquid latet apparebit, nil inultum remanebit".
Eu - "Esperai-me um pouco para que desafogue a minha dor antes que vá habitar nessa terra tenebrosa e coberta das sombras da morte".
rêveries d'une imbécile
sábado, 30 de novembro de 2013
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
l'Hedois du Bocage
Oh retrato da Morte, oh Noite amiga,
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha de meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha de meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!
Pois manda Amor que a ti somente os diga,
Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel, que a delirar me obriga.
Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel, que a delirar me obriga.
E vós, oh cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!
Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar meu coração de horrores.
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar meu coração de horrores.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
A dor do mundo
A chuva caí graciosa, mas sinto-a com grande pesar; é o Teu choro que caí sobre mim e me induz a contrição.Os pássaros ainda cantam em meio ao temporal, são melancólicos os cantos, pois expõem os males do homem e a intensidade de nossas paixões, contando a nossa miséria ao Pai que já as conhece.
A dor do mundo traz o inverno de minh'alma.
A dor do mundo traz o inverno de minh'alma.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Diálogo de prisioneiras
- Vós, minhas queridas estrelas, que cintilam timidamente no abismo noturno, vós me dizeis tanto. Que quereis dessa alma atormentada?
- "Vinde, amiga nossa, para a casa que tu pertences"
- Jamais me prenderei a condição em que vós viveis, tiranizadas pelas trevas colossais que vos cercam.
- "Vinde, querida alma, fazer-nos companhia, agora estás sozinha a enfrentar o escuro, aqui nós estamos juntas e brilhando aos olhos dos sonhadores"
- Vós sois sedutoras, minhas companheiras, mas não me convencerão. Fostes tragadas pela noite e eu prefiro enfrentar meu tormento compondo melodias renitentes durante o breve estágio em que minh'alma presa em meu corpo está.
"Ora, (direis) ouvir estrelas! Certo perdeste o senso!"
"Ora, (direis) ouvir estrelas! Certo perdeste o senso!"
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Noite, ouve meu lamento
Tu chegaste, indomável noite, pois posso te sentir. E tu trouxeste a escuridão que está repleta de criaturas que me atormentam. Não és bem-vinda, pois quando tu chegas, meu coração é atingido pela tristeza e minha alma adoece.
Noite infinda, és tu a causa dos meus males?
Tu pintas a natureza de forma bela, porém transforma os cantos alegres da luz em ruídos aterrorizantes. Assim, tu me encantas e me assustas, noite antagônica. Trazes um efeito maligno para os corações descontrolados que se embebedam com teu veneno e depois são engolidos pela dor.
Noite, tu és certeira e astuta! Sem piedade, tu me revelas os monstros que me martirizam.
Oh, noite, desassossego dos pecadores, por que és tão medonha? Me incitas terror com as vozes graves que soam de tuas trevas e que me assaltam durante minha insônia.
Noite, és macia para alguns e áspera para outros. Até quando serás para mim uma angústia? Ide para longe com o vazio que te pertence e que me acomete; deixe cair o teu manto para que eu venha alcançar a elucidação. Seja branda, consola meu coração agônico e presenteia a minha mente com a luz da sabedoria divina. Sou ingênua, pois, como podes ser indulgente? És a ausência da luz e o domínio do frio. Apagaste o flamejar fraquejado do meu sustento.
Minh'alma agora jaz na tua escuridão.
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