sábado, 30 de novembro de 2013

Lancinante pranto

Eu - Noite infinda, onde estou?

Noite - Tão pouco posso te revelar, mas, tu bem sabes que estás na fronteira da loucura.

Eu - Que farei eu agora?

Noite - Implore! Admita como és.

Eu - Um pó medíocre.

Noite - Então "aprenda a obedecer, pó soberbo, aprenda, barro e lodo, a humilhar-se e meter-se debaixo dos pés de todos"

Eu -  Deus, seja misericordioso com a minh'alma.
       Quantas paixões levianas e mentiras temíveis
       Revelam-se tiranas, levando minha calma!
       Elevando a angústia que traz dores terríveis.

       Considero passado? A agonia deixa sua esteira.
       Não tenho paz genuína, não tenho pleno olvido
       Meu bom espírito implora em condição rasteira:
       Escutai o alto e transcendente clamor aguerrido!

       Dúbio ser inconstante, como haverei de lutar?
       A ignorância ergueu altar fixo no meu interior
       Embaçou-se o mundo e só enxergo o penar.

       Aberrações de pensamentos permeiam a dor,
       Meu intelecto insano ambiciona a mente sanar
       e meu coração se condói, apetecido do Amor.

Noite - Mas não és digna do Amor e nem da consolação.

Eu - "Ainda que pudesse derramar um mar de lágrimas, nem por isso seria digno de Vossas consolações".

Noite - É falsa a tua contrição! Ainda estás a beira da insanidade.

Eu - Não me acuse, noite astuta. Tu és apenas o cenário de minha angústia.

Noite - Silenciarei e de certo ficarás incessantemente torturada até o dia em que a natureza ficará paralisada... "Judex ergo cum sedebit, quidquid latet apparebit, nil inultum remanebit".

Eu - "Esperai-me um pouco para que desafogue a minha dor antes que vá habitar nessa terra tenebrosa e coberta das sombras da morte".


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